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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Mitologia - Centauros

 
   Na mitologia grega, o centauro (em grego Κένταυρος, Kentauros, "matador de touros", plural
Κένταυρι, Kentauri; em latim Centaurus/Centauri) é uma criatura com cabeça, braços e dorso de um ser humano e com corpo e pernas de cavalo.

   Os centauros são muito conhecidos pela luta que mantiveram com os Lápitas, provocada pelo seu intento de raptar Hipodâmia no dia da sua boda com Pirítoo, rei dos Lápitas e também filho de Íxion.

   A origem dos centauros tem a ver com uma contenda ocorrida entre os deuses olímpicos Íxion, Hera e Zeus. Certa vez, Íxion se apaixonou pela deusa Hera, esposa de Zeus, e por isso tentou estuprá-la. Incomodada com o ocorrido, ela contou a Zeus sobre o comportamento de Íxion esperando que alguma providência fosse tomada. Procurando averiguar o relato da esposa, Zeus esculpiu com nuvens uma estátua de Hera e a colocou perto de Íxion para observar qual seria a sua reação.

   Ao pensar que a estátua realmente fosse a deusa Hera, Íxion começou a se vangloriar por ter ultrajado uma divindade olímpica. Imediatamente, Zeus prendeu o perverso Íxion em uma roda de fogo que girava infinitamente e depois o lançou no Hades, que representava o inferno na mitologia grega. A nuvem que fora violentada por Íxion deu origem a Kentauros, que deu origem aos primeiros centauros após se enlaçar com algumas éguas magnesianas.

   Outros relatos mitológicos contam que alguns centauros eram frutos do relacionamento das divindades. O centauro Quíron, por exemplo, era filho do deus Cronos e de Filira, filha do Oceano. Contrariando sua própria espécie, geralmente bastante impulsiva e violenta, Quíron teria, ao longo de sua vida, aprendido diversas habilidades ao ser educado pelos deuses Apolo e Diana. Entre outras habilidades este centauro teria profundo conhecimento sobre caça, medicina, botânica, música e futurologia.

   A mais famosa lenda grega sobre os centauros conta sobre a batalha dos Lápitas e Centauros. Conforme o relato, Enomau, o rei de Pisa, era pai de uma bela princesa chamada Hipodamia, a quem havia prometido sua mão em casamento para aquele que conseguisse derrotá-lo em uma corrida de carros. Após vencer e matar vários oponentes, o rei foi trapaceado por Pirítoo, que conseguiu vencer a corrida após o cocheiro Mirtilo ter danificado as rodas do carro real.

   Na organização da festa de casamento, vários centauros foram convidados para participar do evento que consagraria a união entre Pirítoo e a belíssima princesa Hipodamia. Contudo, durante a celebração, o centauro Eurítion ficou embriagado e tentou violentar a princesa. Seguidamente, outros centauros também tentaram fazer o mesmo, dando início a um grande conflito contra os humanos. As criaturas que sobreviveram ao conflito saíram em debandada da região da Tessália.

   Na interpretação das alegorias mitológicas, o centauro tem a importante capacidade de salientar o conflito entre a razão e a emoção. Sendo a parte superior de seu corpo humana, teria a capacidade de refletir sobre os seus atos. Em oposição a essa característica racional, a parte inferior de seu corpo representaria a violência física e os impulsos sexuais


Curiosidades


   Na série de livros de C.S. Lewis, As Crônicas de Nárnia, os centauros são retratados como
criaturas sábias e nobres. Eles são observadores de estrelas, tem o dom da profecia e da cura, e gostam de guerrear, uma raça feroz e valente, sempre fiel ao Alto Rei Aslan, o leão.

   Na série de J.K. Rowling, Harry Potter, os centauros são retratados como seres inteligentes e orgulhosos. Centauros vivem na Floresta Proibida perto de Hogwarts. Embora diferentes daqueles observados em Nárnia, vivem em sociedades chamados rebanhos e são hábeis na arte da cura, no uso de arco e flecha, possuem o dom da profecia e praticam a astrologia. Apesar das representações no cinema, que incluem seres muito animalescos, com certas características faciais, a reação das meninas de Hogwarts para Firenze sugere uma aparência mais clássica.

   Na série de livros Percy Jackson e os Olimpianos, de Rick Riordan, eles são vistos como os festeiros que usam muita gíria americana e são considerados selvagens e sem civilização. Quíron é mais como os centauros clássicos (da mitologia grega), fiel, sendo treinador dos heróis, qualificados no tiro com arco e sábio.

   Na série Fablehaven, de Brandon Mull, os centauros são retratados como um grupo orgulhoso e elitista de seres que se consideram superiores a todas as outras criaturas. No quarto livro, também tem uma variação da espécie chamada de Alcetauro, que é parte homem, parte alce.

   No livro de Michael Ende, A História Sem Fim, há Cairon, um centauro sábio. Centauros são vistos no filme Fantasia (Disney), de 1940.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Harpias - Mitologia


   As Harpias, que significa arrebatadoras, eram criaturas representadas ora como formosas e sedutoras mulheres com longas unhas, ora como terríveis monstros com corpo de ave de rapina, rosto de mulher e seios. Elas raptavam o corpo dos mortos para usufruir de seu amor, por isso eram representadas nos túmulos como se estivessem à espera do morto, sobretudo dos jovens para arrebatá-los. Eram cruéis e violentas, sendo relacionadas aos ventos destruidores, aos ciclones e às tormentas.
Celeno, considerada a mais malvada de todas, era também chamada de Podarge. Seu nome em grego significa "a obscura".

   Aelo era comandava a sujeira e seu nome em grego significa "a borrasca".
Ocípite era aquela que atacava e seu nome significa em grego "a rápida no vôo".
Por onde passavam, as harpias causavam a fome arrebatando a comida das mesas e espalhando um cheiro pestilento que ninguém conseguia retornar por onde elas tivessem passado. Difundiam a sujeira e doença; era inútil afugentá-las pois elas voltavam sempre. Hades, o deus do inferno, contava com a ajuda delas para levar-lhe os mortos. Zeus e Hera serviam-se delas para punir aqueles que os contrariassem.

   Com a queda de Troia, Afrodite aconselhou seu filho Enéias a deixar a cidade levando sua família, pois lhe estaria reservado o destino de fazer reviver a glória troiana em outras terras. No entanto, Hera ainda não havia esquecido das tramas de Afrodite que levou à destruição de Troia. Quando Enéias e seus companheiros viajavam em busca de novas terras, ao pararem na Ilha das Harpias eles mataram alguns novilhos. As Harpias iniciaram um terrível ataque roubando-lhes as carne e os amaldiçoaram lançando-lhes terríveis profecias.

   As harpias também foram enviadas por Zeus para punir o Rei Phineu. Ele havia recebido de Apolo o dom da profecia com a recomendação de que jamais deveria revelar os segredos dos deuses do Olimpo. No entanto Phineu ignorou a recomendação e como castigo Zeus tirou-lhe a visão e enviou as Harpias para perseguí-lo.

   Quando Phineu e seu reino estavam prestes a morrer de fome, os Argonautas chegaram e expulsaram as Harpias libertando-os do tormento que elas causavam. Como elas eram imortais, foram combatidas principalmente por Zetes e Calais, os filhos do vento. Diante de suas forças, elas fugiram e se refugiaram na Ilha de Creta prometendo não mais atormentar Phineu.


O Mito


   O mito das harpias pode ser relacionado ao comportamento compulsivo e às paixões obssessivas; por onde passam deixam um rastro de destruição. As compulsões são hábitos adquiridos para aliviar uma ansiedade ou necessidade de gratificação emocional, levando a um esforço frequente e excessivo para proporcionar um prazer imediato e passageiro ou aliviar um desprazer. Logo depois vem o remorso por não ter resistido ao impulso de realizá-lo, mas mesmo assim se torna repetitivo.

   Não há uma causa para a ocorrência de comportamentos compulsivos. Pode-se dizer que seja uma predisposição devido a hábitos aprendidos na infância ou vivências do passado. Importante é perceber os danos físicos, psicológicos e sociais que tal comportamento provoca.

   As compulsões se manifestam nas pessoas que compram compulsivamente, ainda que não tenham condições de pagar ou naquelas que comem compulsivamente mesmo sem ter fome. Outros praticam exercícios físicos em excesso e se preocupam excessivamente com peso ou com o corpo etc. Há diversas outras manifestações e com a repetição, a pessoa torna-se dependente dessas atitudes e até sente desconforto quando não age assim.

   Alguns buscam o alívio do desprazer das emoções de angústia e ansiedade, do afastamento de pensamentos incômodos. Essa busca pode levar ao consumo exagerado de drogas. Muitas vezes, as pessoas privadas de suas atitudes compulsivas podem apresentar os mesmos sintomas provocados pela abstinência de drogas: tremores, sudorese, taquicardia etc.

   Os compradores compulsivos se tornam viciados e dependentes das compras; precisam comprar sem limites para se sentir bem naquele momento mesmo que se arrependa depois. A pessoa compra não pela necessidade do objeto mas pelo impulso de comprar. Perdendo a noção de realidade, com o tempo perde o controle e comete verdadeiras loucuras.

   O jogador compulsivo não analisa se vai ganhar ou perder, ele quer ação. Ele vive planejando as jogadas e na sua busca por ação, faz apostas cada vez maiores para continuar produzindo excitação. Está sempre na expectativa de ganhar e essa sensação acaba por tornar-se a sua única fonte de prazer. Em consequência, ele encontra dificuldade de parar de jogar compulsivamente, gastando o que tem e o que não tem, perdendo a noção da realidade.

   Aqueles que se submetem excessivamente aos padrões de beleza, agem compulsivamente levando à obssessão pela perfeição ou beleza física. A pessoa inicia um complexo de estar em desacordo com os padrões desejáveis o que pode levar a um excesso de exercícios resultando em prejuízos à saúde. A obssessão por um corpo malhado e sarado pode levar até mesmo à ingestão de substâncias para aumentar a massa muscular ou emagrecer.

   Do outro lado, estão os transtornos alimentares. Existem aqueles que comem compulsivamente, mesmo sem ter fome. São pessoas que não conseguem resistir ao vício de comer e o que deveria ser um prazer torna-se uma angústia. Na preocupação com a estética e perfeição do corpo, podem terminar por desenvolver bulimia ou anorexia porque distorcem a realidade ao ver-se no espelho.

   Outro tipo é o trabalhador compulsivo. Embora o esforço no trabalho possa levar ao sucesso profissional e à realização financeira, alguns desenvolvem uma compulsão pelo trabalho de forma a ocupar o espaço de sentimentos e pensamentos difíceis de serem vivenciados, tais como problemas familiares e conjugais. E ainda que sofra com sua situação, o workaholic usa o trabalho como um escudo e termina por restringir sua vida no trabalho, sem tempo para distrair. Consequentemente, a pessoa se torna severa, isolada, inflexível, perfeccionista, amarga, exageradamente realista e de difícil convivência.

   Mas um dos comportamentos mais perversos talvez seja a do conquistador compulsivo que sofre da Síndrome de Dom Juan, o lendário sedutor do século 17 que teve mais de mil mulheres sem amar nenhuma. Essa compulsão por sedução, que pode se manifestar tanto em homens como em mulheres, leva em conta a atração fugaz, o envolvimento sexual fácil mas fracassa no envolvimento emocional, determinando relacionamentos íntimos pouco duradouros.

   A pessoa com essa síndrome é excessivamente sedutora. Embora suas conquistas sejam muito mais eficientes com pessoas carentes de afeto, com uma baixa auto-estima, ingênuas, sugestionáveis e influenciáveis, em geral os sedutores compulsivos tem como alvo as pessoas consideradas difíceis ou proibidas tal como pessoas casadas ou comprometidas, mais velhas ou muito mais novas, ou que por algum motivo represente um desafio, um relacionamento perigoso ou impossível.

   Sendo um comportamento mais proeminente nos homens, o conquistador compulsivo é o tipo de propaganda enganosa: simula romantismo, diz exatamente o que a mulher quer ouvir, dispensa-lhe toda sua atenção como se não existisse mais ninguém no mundo. Quem já conheceu um, conheceu todos. Esse é um tipo tão maravilhoso que parece bom demais para ser verdade e pode acreditar, não é verdade mesmo.

   A idéia é iludir e levar a mulher a acreditar que encontrou um homem diferente dos outros. Ele é capaz de insistir por meses até conseguir o que quer e quando consegue seduzir, que não precisa necessariamente envolver sexo, ele perde o interesse, desaparece e até troca de celular para não ser encontrado. O tipo sedutor retira prazer e satisfação apenas do processo de conquista, que lhe provoca excitação e sensação de euforia por um breve período de tempo.

   Como um dependente químico, está sempre precisando de uma nova dose para se manter ligado, tem necessidade de seduzir. Pode até parecer inabalável, mas sofre por ser como é. Nunca terá a certeza de que é feliz precisando repetir seu ritual indefinidamente. Depois de alguns anos, percebe que não conseguiu construir nada. Se serve como vingança, o futuro do devorador de mulheres costuma ser a solidão...



quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Caronte o Barqueiro do inferno


     Caronte o barqueiro de Hades,tambem conhecido como barqueiro do inferno era responsável por levar as almas dos recém-mortos para o outro lado, atravessando os rios Estige e Aqueronte, que dividiam o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Era filho de Nix, a noite.

   Após tentar roubar a caixa de pandora, Caronte que fora pego pelo próprio Zeus recebeu a tarefa de transportar os mortos. No início fazia a travessia com seu irmão gêmeo Corante. Uma moeda para pagá-lo pelo trajeto, geralmente um danake, era por vezes colocado dentro ou sobre a boca dos cadáveres, para poder pagar a tarefa. Cada um dos irmãos utilizava um remo e dividiam as moedas. E isso deveria permanecer durante toda a eternidade. Todavia, Corante notou que as gorjetas estavam cada vez menores e escassas, passou, com isso,  a desconfiar de seu irmão. Passou a investigar o irmão e acabou por descobrir que Caronte estava lhe roubando. Ficando com a gorjeta e desviando o faturamento. Os dois irmãos, então, brigaram duramente 13 meses e 28 dias.  Com isso, os mortos ficaram vagando pela terra, pois não tinha quem lhes conduzisse para o outro lado. No 365º dia de luta Carante afogou seu irmão no rio. Nesta hora o corpo de Corante dissolveu-se tingindo o rio de vermelho.

   Segundo vários relatos, Caronte só atravessava para o outro lado quem tivessem com alguma moeda para lhe pagar. Com isso, os mortos que não pudessem pagar tinham de vagar pelas margens por cem anos.

   Caronte era representado, muitas vezes, com uma máscara de bronze que servia para ocultar sua face macabra afim de que não assustasse os recém-mortos.
Além dele somente poucos tinham livre acesso ao outro lado. Eram eles: Hermes, Hécade e Thanatos. E, somente, poucos heróis atreviam-se a fazer a travessia, entre eles, Héracles, Orfeu, Enéas, Dioniso e Psiquê - conseguiam viajar até o mundo inferior e retornar, ainda vivos, trazidos pela barca de Caronte.